Posts Tagged ‘graxos

15
nov
08

Esgoto pode virar biodiesel

Produção de Biodiesel a partir de Esgoto sanitário

 

         Atualmente, a produção de biodiesel no mundo vem crescendo de forma acelerada. Nos últimos três anos (2005-2007), ela pulou de 75 milhões de galões para 450 milhões de galões nos Estados Unidos.

         Este interesse e demanda por biodiesel promovem um aumento da demanda por matéria-prima, ou seja, lipídios. O biodiesel é um substituto de diesel de petróleo obtido pela transesterificação, ácido ou básico, dos lipídios (triacilglicerídeos) presentes nos óleos e gorduras.

         O biodiesel apresenta algumas vantagens sobre o diesel de petróleo, como a capacidade de ser biodegradável (cerca de quatro vezes mais rápido que o diesel de petróleo) e ter um ponto de fulgor mais elevado (acima de 200 0C), tornando seu manuseio e armazenamento mais seguros.

         Como um efeito da demanda por fontes de lipídios, surge uma enorme pressão sobre culturas de espécies oleaginosas, usadas na indústria alimentícia, como soja, canola, girassol, entre outras.

         Em 2007, de um total de 20,2 bilhões de libras de óleo de soja produzidos, 19,4 bilhões de libras foram usados pela indústria alimentícia. Isto representa cerca de 96% do total.

          Dentre as fontes alternativas de lipídios, algumas novas espécies oleaginosas vêm sendo propostas como a mamona e o pinhão-manso.

         Entretanto, uma nova alternativa também surgiu: o uso de esgotos sanitários como fonte de lipídios para a produção de biodiesel.

         Após tratamento, o lodo oriundo do esgoto sanitário consiste em uma fonte rica em lipídios. Diversos estudos indicam a presença de ácidos graxos, principalmente os ácidos graxos entre C10 e C18, os quais são uma ótima matéria-prima para a produção de biodiesel.

         A possiblidade de produção in situ de biodiesel a partir do lodo apresenta diversas vantagens, eliminando a necessidade de extração e concentração dos ácidos graxos, bem como reduzindo a necessidade do uso de solventes para tal processo.

         O biodiesel produzido pela transesterificação metanólica, catalisada por ácido sulfúirico, apresenta quantidades significativas de ésteres metílicos de ácido palmítico (C16:0); esteárico (C18:0) e  oléico (C18:1), com rendimento final de cerca de 14% em massa.

         Também podemos destacar o uso de alguns microrganismos que utilizam o lodo como fonte para o acúmulo de lipídios.

         A composição de biodiesel obtido a partir de lipídios de Lipomyces starkeyi também apresenta altos teores de ácidos palmítico, esteárico e oléico.

         Desta maneira, podemos indicar que os lodos obtidos a partir do tratamento de esgotos são fontes viáveis e interessantes de matéria-prima para a produção de biodiesel.

         De fato, a Companhia de Saneamento do Rio de Janeiro pretende instalar uma usina de produção de biodiesel a partir de esgoto, com início de funcionamento previsto para 2009.

 

 

Referências

 

ANGERBAUER, C.; SIEBENHOFER, M.; MITTELBACH, M.; GUEBITZ, G. M. Convertion of sewage sludge into lipids by Lipomyces starkeyi for biodiesel production. Bioresource Technology, v. 99, p. 3051-3056, 2008

MONDALA, A.; LIANG, K.; TOGHIANI, H.; HERNANDEZ, R.; FRENCH, T. Biodiesel production by in situ transesterification of municipal primary and secondary sludges. Biorecsource Technology, 2008.

Esgoto do Rio de Janeiro vai virar Biodiesel, em http://www.biodieselbr.com/noticias/biodiesel/esgoto-rio-janeiro-virar-biodiesel-03-11-08.htm

Anúncios
22
out
08

Biodiesel a partir de microrganismos

Biodiesel a partir de microrganismos

 

         Com o aumento no preço do barril de petróleo e o decréscimo das suas reservas, o interesse em biocombustíveis, em particular em combustíveis renováveis vêm aumentando nos últimos anos.

         Uma das mais importantes fontes de combustíveis renováveis é o biodiesel, produzido a partir de biomassa, pela transesterificação dos triacilgilcerídeos, formando ésteres de ácidos graxos de cadeia longa. O chamado biodiesel não contribui para o aumento de carbono e de enxofre na atmosfera, bem como emite uma carga menor de poluentes que o diesel oriundo do petróleo.

         Para a sua produção, diversas fontes de lipídios são consideradas, incluindo óleos vegetais, gorduras animais e óleos usados.

         Entretanto, os óleos vegetais e gorduras usados são obtidos de fontes vegetais e animais. Assim, as plantas oleaginosas usadas devem ser plantas e colhidas, o que demanda energia, bem como áreas agriculturáveis consideráveis. Já os animais devem ser alimentados, o que novamente demanda energia.

         Caso seja usado óleo vegetal, o custo desta matéria prima usada para a produção de biodiesel está estimado em cerca de 70-85% do custo total de produção.

         Assim, a redução do custo de produção torna-se um imperativo para o sucesso da produção de biodiesel.

         O uso de microrganismos oleaginosos foi apresentado como uma fonte de óleos e gorduras de baixo custo.

         Os microrganismos oleaginosos são definidos como aqueles que apresentam um conteúdo lipídico acima de 20%. Existem diversas variedades, tais como microalgas, bacilos, fungos e leveduras.

         Os teores de lipídios variam entre 16 a 77% para microalgas, 18 até valores superiores a 40% para bactérias, entre 50 a 70% para leveduras e 50 a 85% para bolores.

         As microalgas fornecem uma biomassa rica em ácidos ômega 3 e 6, ricos em C16 e C18, com instaturações D9, D12 e D15, comparáveis a óleos vegetais ricos em ácidos palmítico, linoléico, oléico e esteárico. Apresentam um crescimento extremamente rápido, dobrando a sua biomassa a cada 24 horas.

         As bactérias, embora apresentem teores lipídicos menores que as microalgas, têm taxas de crescimento maiores e são cultivadas com mais facilidade.

         Fungos e bolores também são produtores de lipídios, com teores de ácidos graxos saturados em torno de 44%, valor comparável a diversos óleos de origem vegetal.

         Assim, a busca por microrganismos com altos teores de lipídios, em particular de ácidos graxos saturados, torna-se um caminho promissor para a diminuição dos custos de produção do biodiesel.

 

Fonte: MENG, X.; YANG, J.; Xu, X.; ZHANG, L.; Nie, Q.; XIAN, M. Biodiesel production from oleaginous microorganisms. Renewable Energy, 34, 1-5, 2009.

 

Usina produtora de biodiesel de microalga:

http://mygreenhome.wordpress.com/2008/10/02/green-aspirations-with-new-algae-biodiesel-facility/